Óleo de coco: o mocinho virou vilão para a saúde e a beleza?

Alimento apontado como aliado ao emagrecimento e a cuidados com pele e cabelos está sendo questionado por associações de nutrição e médicos.

Por Thais Cavalcante 14/07/2017 - 11:06 hs
Foto: Roberto Teixeira/EGO
Óleo de coco: o mocinho virou vilão para a saúde e a beleza?
Óleo de coco: de mocinho a vilão?

O mocinho virou vilão? Depois de ser indicado exaustivamente para o auxílio do emagrecimento, redução de colesterol, controle de diabetes e até hidratação de pele e do cabelo, o óleo de coco está sendo alvo de diversos questionamentos e até apontado como "inimigo" da saúde. Segundo algumas instituições, ele não só não traz nenhum dos benefícios apontados anteriormente, como também pode ser prejudicial se usado em excesso.

Em recente comunicado, a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), informou, entre outros pontos, que “quando o óleo de coco é comparado a óleos vegetais menos ricos em ácido graxo saturado, recente revisão mostrou que ele aumenta o colesterol total (particularmente o LDL-colesterol) o que contribui para um maior risco cardiovascular”.

Por esse e outros motivos, a ABRAN ainda recomenda que o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento da obesidade; na prevenção ou no tratamento de doenças neuro-degenerativas; como nutriente antimicrobiano; nem como imunomodulador.

Em 2015, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica  (ABESO) já haviam se posicionado de forma semelhante diante do aumento e indicação do uso do óleo de coco para perda de peso.

“A SBEM e a ABESO posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde. A SBEM e a ABESO também não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e pró-inflamatórias. O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular.”

Embora o comunicado esteja assinado pelo presidente na época, o atual representante da SBEM, Dr. Fabio Trujilho, segue com o mesmo posicionamento. Mas Trujilho ressalta que, assim como não há esquisas que justifiquem benefícios, também não há um estudo que mostre malefícios do óleo.

"Não vejo benefícios terapêuticos para o uso do óleo. Quantos aos malefícios, existem coisas que não dá para afirmar, apesar de todos os posicionamentos. Não temos tantos dados pra afirmar que faça mal", afirmou Fábio em entrevista ao EGO. O presidente destacou ainda que há agora um processo para aletar a sociedade sobre o assunto. "Quando tem um respaldo de entidades médicas, dados de uma sociedade de cardiologia, o que uma boa parte de médicos faz é conscientizar seus pacientes a pensar naquilo. É um trabalho de formiguinha."

Fábio, que trabalha bastante em tratamentos contra a obesidade, diz que gostaria muito que um produto natural pudesse realmente trazer tantos benefícios como os divulgados. E concorda que o uso do óleo por muitas famosas ajuda na propagação da produto na linha do modismo. "Não existe nada milagroso. A população em geral quer sempre algo milagroso e tende a seguir alguns modelos. E adota até como paixão", afirma Fábio.

Renata Spallicci, life coach da atriz Claudia Alencar, costuma indicar o élo de coco para suas clientes, mas considera muito importante o posicionamento e o comunicados das intituições especializadas. "Considero importante as associações comunicarem oficialmente sobre algum tema em alta e alertar os profissionais sobre os estudos recentes. Procuro me manter sempre atualizada em relação às novidades cientificas para aprimorar meus conhecimentos", afirmou Renata, que contou ainda que seus clientes costumam relatar bons resultados com as prescrições de óleo de coco. "O comunicado reforça que não existem evidencias suficientes para concluir que o consumo de óleo de coco leva à redução de adiposidade, porém existem muitos relatos de profissionais que testaram e afirmam ter obtido bons resultados. Eu, como wellness coach, trabalho sempre em parceria com profissionais de educação física e nutricionistas, e as prescrições continuam", pontuou Renata.

Cuidados com pele e cabelo


O dermatologista Leonardo Spagnol Abraham, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, falou ao EGO sobre o uso do óleo de coco em tratamentos de doenças dos cabelos, como a queda dos fios. Assim como acontece com o consumo alimentar, ele afirma que os benefícios cosméticos do produto também não são comprovados. "Não existe nenhuma comprovação científica de que o óleo de coco poderia ajudar. Na realidade, o óleo de coco, assim como qualquer óleo, pode melhorar a hidratação dos fios de cabelo. Porém deve ser utilizado com muito cuidado por pessoas com caspa ou couro cabeludo oleoso pois pode piorar estas condições", afirmou Leonardo.

O dermatologista também defende que o óleo não deve ser usado de forma indiscriminada e fala sobre os riscos do uso do poduto para hidratação da pele. "Assim como qualquer óleo, o óleo de coco pode aumentar a oleosidade da pele, causando ou piorando a acne, a dermatite seborreica (casca) e outras doenças dermatológicas."

Marília Neves/ego.globo.com