Ação rápida salvou homem que teve coração perfurado por faca

Paciente de 29 anos foi operado no centro cirúrgico da Santa Casa de Jaú; em recuperação, ele está consciente e já anda e se alimenta sozinho

Por Carla Parezan 21/06/2018 - 09:04 hs
Foto: Luiz Carlos de Oliveira
Ação rápida salvou homem que teve coração perfurado por faca
Os médicos Itamar Epifânio e Jair dos Santos Junior atuaram na cirurgia que salvou o paciente de 29

Uma série de fatores, que incluem a precisão no socorro inicial e a rapidez no diagnóstico e na cirurgia, fez com que um homem de 29 anos, que teve o coração perfurado por uma faca no último fim de semana, em Jaú, escapasse da morte - uma realidade em 90% dos casos semelhantes - sem qualquer sequela. O paciente, que se recupera na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Jaú, onde foi feito o procedimento, já anda e se alimenta sozinho.

Nesta quarta-feira (20), os profissionais que realizaram a cirurgia de emergência em D.R.C. falaram com a imprensa sobre a raridade e a complexidade do caso. Segundo o cirurgião torácico Jair dos Santos Júnior, o homem deu entrada no PS da Santa Casa na noite de domingo, com uma perfuração de cerca de três centímetros no mamilo, na altura do coração. No trajeto, ele foi estabilizado pela equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA) do Samu, recebendo soro na veia e oxigenação.

"O paciente chegou com o coração bastante acelerado, ansioso e sudoreico", diz. "Como ele estava estável, a gente levou ele rapidamente para fazer uma tomografia. Na tomografia, vimos que tinha sangue ao redor do coração. O diagnóstico foi de perfuração de coração. O paciente saiu dali e foi para a sala de cirurgia imediatamente, onde foi submetido a uma toracotomia (incisão no tórax) de urgência, feita por mim e pelo doutor Itamar Epifânio, gastrocirurgião e cirurgião oncológico".

O intervalo entre o esfaqueamento e início da cirurgia foi de menos de uma hora. Durante o procedimento, o médico conta que a equipe constatou perfuração de dois centímetros no ventrículo esquerdo. "Na hora em que a gente chegou na lesão, tinha um coágulo que estava tampando essa lesão e esse coágulo, que tinha efeito de rolha, saiu e sangrou muito, em grande volume. Como tratamento de urgência imediato, a gente colocou o dedo na lesão para estancar o sangramento", revela.

O próximo passo, de acordo com Santos Júnior, foi suturar o local perfurado. "Nós colocamos uma sonda vesical, dessas que o paciente usa no canal da urina, no corte do coração, insuflamos o balonete e tracionamos. Só de fazer isso, o sangramento para. Aí a gente fez uma sutura em bolsa (um círculo ao redor da sonda), retiramos a sonda vesical e completamos o ponto. O coração parou de sangrar, o paciente estabilizou e a gente terminou a cirurgia", explica.

D.R.C. foi levado para a UTI para se recuperar do procedimento e, no dia seguinte, foi entubado. "Hoje, ele ainda está na UTI, mas já está consciente, comendo e andando. Ele já fez ecocardiograma, que não deu nenhuma repercussão, por enquanto", afirma. "O que chamou a atenção é que 90% dos pacientes que sofrem este tipo de acidente morrem no local, no transporte ou no atendimento no hospital. Ele teve muita sorte de chegar aqui vivo e ser operado rapidamente". 

Sucesso

Para o cirurgião torácico, o sucesso no procedimento que salvou a vida do paciente deve-se a um conjunto de fatores, que inclui a qualidade da estrutura e dos profissionais da Santa Casa de Jaú. "O principal foi a velocidade com que as coisas foram feitas. Ele chegou rápido, foi atendido rápido no Pronto-Socorro, foi feito o diagnóstico rápido na tomografia, ele já saiu da sala de tomografia para o centro cirúrgico, a equipe já estava aguardando e ele foi operado imediatamente", declara.

RELEMBRE O CASO

Conforme divulgado pelo JC, D.R.C. foi esfaqueado na noite do último domingo (17), na rua Humaitá, em frente ao Terminal Rodoviário de Jaú, após separar uma briga de casal. O autor dos golpes, de 28 anos, fugiu levando a arma do crime, mas já foi identificado e irá responder por tentativa de homicídio. O caso segue sob investigação.

Antes da sutura

Depois da sutura

Lilian Grasiela - jcnet.com.br