Desaparecida, Yasmin, de 16 anos, é assassinada em Araraquara

À policia, ele disse que matou simplesmente porque "desejava ver como é".

Por Camila Ramos 11/06/2019 - 10:36 hs
Foto: A Cidade On/ Araraquara

Policiais militares, civis e bombeiros confirmaram hoje à tarde uma terrível informação: desaparecida desde domingo (9), a estudante de Araraquara, Yasmin da Silva Nery, de 16 anos, foi encontrada morta na região do Jardim das Hortênsias. A jovem foi assassinada com requintes de crueldade e teve o corpo esquartejado e dividido em partes. O acusado, um adolescente de 17 anos, que ela havia conhecido um dia antes, foi detido, confessou o crime. A namorada dele de 17 anos também foi apreendida por ter ajudado a sumir com o corpo. Os nomes deles não podem ser divulgados como preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). À policia, ele disse que matou simplesmente porque "desejava ver como é".

Yasmin, que morava no Jardim Selmi Dei, na Zona Norte, saiu de casa na tarde de domingo inicialmente para ir ao Sesc com um amigo, mas não retornou. A família soube, posteriormente, que a jovem teria ido encontrar um garoto que conheceu nas redes sociais.

Na verdade, segundo ele, não foi pela internet. Foi, sim, em um show no dia anterior. Mas, no twitter dela, horas antes, ela dizia que iria na casa de uma pessoa que nunca tinha falado pessoalmente. "Se eu sumir/morrer já sabe", profetizou, já antecipando o perigo. "pensando melhor não sei se deveria ir na casa dele assim de primeira." Mas, ela foi. E, de lá, não saiu viva.

Desde a manhã, depois do registro do Boletim de Ocorrência, policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), passaram a acompanhar o caso. Com base nas informações passadas pela família da Yasmin, o adolescente foi detido. Ele foi levado à delegacia, mas inicialmente negou qualquer envolvimento. Mas, na casa dele, resolveu confessar que tinha matado a garota e dividido o corpo. 

"Ele confessou que o crime foi cometido de maneira bárbara. Disse que desejava 'matar para ver como é'. É chocante até para nós que nos deparamos com violência todos os dias", diz o delegado da DIG, Fernando Bravo, que não conseguiu extrair do acusado nenhum motivo claro a não ser a curiosidade mórbida pela morte. Algo tão bizarro que a senha do celular do adolescente é outro fato chocante, a palavra é 'killer', assassino, em inglês. 

A escolha de Yasmin também foi aleatória. Ele a conheceu em um show de rock, no sábado à noite. Sentiu, segundo ele, que ela gostou dele, por isso aproveitou da fragilidade da jovem. Em seguida, a convidou para ir até a sua casa no domingo. Lá, premeditou o assassinato. "Eu nunca vi nada parecido", destacou o também delegado da DIG, Edimar Piccolo, que ajudou a encontrar objetos pessoais de Yasmin descartados pelo homicida.


"Ele pediu para ela fechar os olhos, para ver onde ela estaria com ele. Ela, 'apaixonada', respondeu. Ele deu um golpe [por trás] conhecido como 'mata-leão' e ai começou a luta", conta o delegado. A garota, segundo Fernando Bravo, ainda tentou se defender e chegou a ferir o acusado com a faca [ele tem uma lesão na perna]. Mas, em meio a briga, ela caiu no chão. 

Ele não soube dizer se morta ou desmaiada. O que ele admitiu é que a matou ali mesmo. A execução foi feita no banheiro já pensando em limpar a cena e drenar o sangue. Sem pestanejar, o adolescente afirmou ter adquirido conhecimento da anatomia humana em sites ligados 'deep web', também chamada de 'deepnet' ou 'undernet', é uma parte da web que não é indexada pelos mecanismos de busca e fica oculta ao grande público. 

Depois de matá-la, ele ainda separou o corpo. A história é tão macabra que deixou todos espantados diante de tal cena. E vai ficando pior: o adolescente colocou uma parte do corpo na mochila e foi de ônibus até o Quitandinha para deixar um dos membros em um bueiro. Lá, depois, exibiu a cena, de acordo com o delegado, como um 'trofeu' para a namorada também adolescente de 17 anos. 

Namorada esta que também foi apreendida pela polícia hoje. Isto porque ela - que estava com ele desde o ano passado e sabia desta vontade de matar - viu parte do corpo na rede de esgoto e foi com ele até a casa no Hortênsias. Ali, também viu o restante do corpo e, ao invés de acionar a polícia, o ajudou a jogar o corpo de Yasmin na lagoa. Teria, ainda, o orientado a não deixar impressões digitais, frisa Bravo. Para a DIG, ele afirmou ter feito a divisão para "dificultar o trabalho da polícia".  
 
Hoje, já detido, ele levou a polícia e os bombeiros aos locais onde deixou Yasmin. Primeiro, na casa dele dentro de um carrinho de lanches. Depois, numa lagoa no bairro. Por fim, no Quitandinha. Lá, foi apreendida apenas um sacola usada no transporte. A frieza do adolescente assustou os policiais que acompanharam o caso nesta segunda-feira. O acusado admitiu que estava sozinho com Yasmim em sua casa e aproveitou a ausência da mãe que tinha ido à igreja e não viu nada. Quando ela retornou, a casa já estava limpa. A faca usada no assassinato foi apreendida. 


Fonte: A Cidade On