Padrasto é condenado a 2 anos de prisão em regime aberto por matar bebê

Bebê de 6 meses morreu asfixiado em 2018, quando estava sob cuidados do réu

Por Camila Ramos 29/11/2019 - 09:06 hs
Foto: Divulgação
Padrasto é condenado a 2 anos de prisão em regime aberto por matar bebê
O réu, Bruno Miziara Abreu foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar

O padrasto acusado de matar um bebê de 6 meses em Bauru, em março de 2018, foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto, durante júri popular realizado na quinta-feira (28), no Fórum da cidade.

O réu, Bruno Miziara Abreu, 27 anos, foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O julgamento durou aproximadamente, 14 horas até que o resultado da condenação fosse divulgado. Como o réu já cumpriu um ano e sete meses de prisão, Bruno tem apenas cinco meses de pena para cumprir.

Além disso, a Justiça determinou a abertura de um inquérito contra Marcela Oliveira Grecchi, mãe de Orlando, também pelo crime de homicídio culposo. A família dela protestou contra a decisão do júri e a promotoria disse que vai recorrer.


Entenda o caso

O caso aconteceu no dia 7 de março de 2018 em um apartamento no Parque Vista Alegre, em Bauru. Bruno era namorada da mão de Orlando e tomava conta do enteado enquanto Marcela estava trabalhando.

Segundo o que o suspeito relatou à polícia, o bebê estava dormindo na cama do casal quando se enrolou na coberta. Ele disse que, quando percebeu, Orlando já não estava mais respirando.

A mão do bebê contestou a versão do namorado e disse que momentos antes ele apresentou sinais de agressividade. Na época, Bruno foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por asfixia e por impossibilidade de resistência da vítima. O laudo necroscópico realizado na época apontou morte por asfixia mecânica, ou seja, quando há causa externa.

 Julgamento

A promotoria defende a tese de que Bruno cometeu homicídio triplamente qualificado. O Ministério Público se baseou em laudos do IML e outras provas acrescentadas aos autos. O representante do MP também alegou que seria difícil aceitar a teoria de que a criança teria se enrolado sozinha nos cobertores e morrido asfixiada.

Durante a defesa da tese, os parentes e a mãe de Orlando se emocionaram várias vezes. Já a defesa alegou aos jurados que não havia como provar que Bruno seria o autor do crime.

"Todo o processo foi desenvolvido com base no laudo pericial, no qual constava morte violenta, e a morte violenta foi interpretada como homicídio. Então, o que nós tentamos mostrar para os jurados e que foi efetivamente votado foi que morte violenta poderia ser um acidente se não tivesse outros indícios", explicou o advogado de defesa, Thiago Tezane.

Enquanto os parentes de Bruno comemoraram o resultado, a família de Orlando ficou revoltada e o promotor disse que vai recorrer da decisão.

"Vou, por conta da gravidade do crime, da complexidade, do resultado, do dano praticado, eu acredito que o recurso deve ser feito com todo respeito à decisão do júri, mas o recurso também é um direito das partes", informou o promotor Alex Gomes

 Fonte: G1 Bauru/Marília