Bariri elege a primeira vereadora trans na história da Câmara

Myrella Soares da Silva (DEM) é eleita com 343 votos e torna-se também a única mulher a ocupar cargo eletivo na cidade

Por Camila Ramos 17/11/2020 - 09:09 hs
Foto: Arquivo Pessoal
Bariri elege a primeira vereadora trans na história da Câmara
Myrella Soares da Silva (DEM), de 39 anos, foi a oitava vereadora mais votada de Bariri

As eleições municipais deste domingo (15) foram marcadas em Bariri (SP) por um fato inédito na história da cidade depois que a servidora pública municipal Myrella Soares da Silva, do DEM, tornou-se a primeira mulher trans a se eleger para um cargo eletivo na cidade de cerca de 35,5 mil habitantes.

Com 343 votos, Myrella, de 39 anos, foi eleita vereadora com a oitava maior votação e tornou-se ainda a única mulher na cidade a conquistar um cargo público no voto popular – ela vai dividir o plenário e a tribuna da Câmara com 12 homens.

Apesar de destacar o ineditismo de seu feito e o pioneirismo na luta por sua identidade, Myrella diz que não quer ser vista em seu mandato apenas como “uma trans que é vereadora”. “Fui a primeira trans servidora pública de Bariri, a primeira a trocar o gênero nos documentos assim que a lei permitiu, a primeira a fazer a cirurgia de transição na cidade, mas sou reconhecida aqui muito mais pelo meu desempenho na área da saúde, onde atuo”, diz Myrella.

Paranaense de Jandaia do Sul, Myrella Silva mudou-se para Bariri aos 4 anos de idade. Solteira, mora com a mãe e a família. Formada em artes visuais e design, Myrella já havia tentado se eleger vereadora nos dois últimos pleitos, em 2012 e 2016, sem sucesso.

No ano passado, conta que concluiu sua transição com a cirurgia definitiva, para ela o capítulo final de um processo que começou há mais de 20 anos, quando, como conta, começou a se entender como mulher. Agora eleita, diz que vai lutar pela defesa da diversidade e pelas minorias.

"Sou afrodescendente e trans, mas reconhecida por meu trabalho. Quem me conhece há tempos e pegou o início da minha transição sabe que sou trans, mas muita gente sabe apenas que sou uma servidora pública dedicada. Prefiro que entendam que sou uma vereadora que, por acaso, é trans”, diz Myrella.

A nova vereadora de Bariri passa a integrar uma estatística que só cresce no Brasil. Segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), pelo menos 25 candidatos e candidatas trans conquistaram uma vaga nas Câmaras de Vereadores do país, um aumento de 200% em relação ao pleito de 2016.


G1 Bauru/Marília