Caldami, terceirizada da Camil, é denunciada por situação análoga ao trabalho escravo

Homem de 45 anos alega que trabalhava em troca de marmita; empresa nega qualquer envolvimento com denunciante

Por Camila Ramos 07/04/2021 - 14:16 hs
Foto: S2 Notícias
Caldami, terceirizada da Camil, é denunciada por situação análoga ao trabalho escravo
Sandro alega ter trabalhado três meses em troca de marmita.

As autoridades da Polícia Civil de Barra Bonita foram até a Caldami, empresa terceirizada que presta serviços para a Camil, averiguar uma denúncia de situação análoga ao trabalho escravo. O denunciante, Sandro Bezerra de Souza, de 45 anos, procurou a delegacia alegando trabalhar por mais de três meses sem receber nenhum salário pelos serviços prestados à empresa e em troca, ganhava uma marmita por dia.

De acordo com Sandro, ele trabalhava na empresa desde 21 de dezembro do ano passado. “Eu peguei um serviço de vigia. Eles disseram que iriam me pagar, mas nunca me pagaram. Eu sempre os cobrava, mas eles sempre tinham um ‘jogo de cintura’. Eu como uma pessoa muito sensível, não queria deixar eles se ‘aperriar’, mas chegou uma hora que eu não aguentei”, contou.

Sandro ainda disse que alguns funcionários da empresa teriam dito que ele seria pago com marmita. “Foi um plano de covardia. O que mais me chocou foi uma técnica de segurança e um engenheiro que trabalham lá, que disseram que meu trabalho ia ser pago só com a comida. E teve um deles que disse que talvez eu ia acabar devendo à firma, porque eu comia demais. Eu sempre comi um marmitex, como os outros”.

Ele contou também como fazia para descansar. “Às vezes, quando eu não queria ir dormir em um barraco que montei no mato, eu dormia debaixo as carretas para ver se eu conseguia algum outro serviço para ter um sustento para o fim de semana. Meu salário já não estava vindo e eu tinha que me virar com aquele serviço que saia dali”. Sandro disse que trabalhava das 5 horas da tarde até às 6h30 da manhã.

Um representante da empresa Caldami, Douglas Cézar Gonzaga, nega que o homem tenha prestado qualquer tipo de serviço para a empresa. “Nós temos a tratar o seguinte: objetivamente, esta pessoa nunca prestou serviço algum para a empresa Caldami. A empresa nunca teve nenhum problema com situações trabalhistas. E hoje nós fomos surpreendidos com esse fato”, explicou.

Ainda de acordo com ele, funcionários da empresa se solidarizaram com o homem e forneceram comida a ele. “Esse rapaz ficava perambulando em volta dos caminhoneiros perto da Camil. No local, há uma tenda de atendimento para as peças que vão chegar na Camil e lá tem alguns funcionários que aguardam as peças a chegar na empresa. Neste canteiro de obra, esse rapaz se aproximou pedindo comida e abrigo, pois estava chovendo”.

O advogado de Sandro, Afonso Bressanin, explicou as providências que estão sendo tomadas. “A situação do Sandro é constrangedora e isso revoltou todos nós do escritório. Estamos fazendo toda essa tratativa da parte criminal e depois ingressar para a parte trabalhista. O objetivo é responsabilizar a empresa”.

Segundo informações, Sandro voltou para a casa de uma irmã com os custos bancados pelo escritório do Afonso Bressanin. A cidade não foi revelada. A equipe do S2 Notícias procurou o delegado de Polícia Civil de Barra Bonita para falar sobre o assunto, mas não obteve resposta. Também procuramos a assessoria de imprensa da Camil, mas até o momento não tivemos um retorno.